O Mendigo que queria ser Rei
João não pedia moedas; pedia atenção para suas histórias de um reino que ninguém via. Sentado em um trono de papelão sob o viaduto, ele usava uma coroa feita de arame e latinha de refrigerante que brilhava mais que ouro sob os postes da cidade. Para os passantes, ele era apenas um "mendigo". Para João, ele era um rei no exílio. Ele não queria servos, queria súditos da gentileza. Sua "corte" era composta por três vira-latas leais e um rádio de pilha que só pegava música clássica. Certo dia, um garotinho parou diante dele. — Você é rei de verdade? — perguntou o menino. João sorriu, revelando a falta de alguns dentes, mas com uma postura impecável. — Um rei, meu jovem, não é definido pelas terras que pisa, mas pela paz que governa dentro de si. Este asfalto é meu palácio porque eu decidi que nenhum rancor entra aqui. Ele entregou ao menino um "cetro" — um galho de árvore lixado com esmero. — Leve isso. É a chave para perceber que o mundo é de quem sabe olhar...